Commerce
15 de junho de 2026 Tempo de leitura: 8 min.

3 estratégias de omnicanalidade para aumentar a eficiência financeira do varejo

A discussão sobre omnicanalidade no varejo mudou de patamar. O foco já esteve na expansão dos pontos de contato e na oferta de mais conveniência ao consumidor, mas hoje o debate é mais pragmático: é preciso gerar resultado para o negócio. Omnichannel não serve apenas para fazer a marca vender em todo lugar: ele serve para vender com a maior margem de lucro possível.

Com a evolução para o Unified Commerce, as lojas físicas deixam de ser pontos de venda isolados e passaram a atuar como hubs logísticos e financeiros. O desafio dos gestores é coordenar esse ecossistema de pontos de contato com o consumidor e não perder rentabilidade com fretes, conflitos de canais, impostos ineficientes ou estoques parados.

Se sua operação sofre para equilibrar a conta entre o digital e o físico, o segredo está na inteligência de orquestração de pedidos. A seguir, apresentamos três estratégias práticas de omnicanalidade, com foco em eficiência financeira no varejo, que vão transformar sua gestão operacional.

Estratégia 1: OMS para inteligência fiscal e tributária

Muitos varejistas enxergam as possibilidades de entrega omnichannel apenas sob a ótica do menor tempo de frete. Um sistema de gerenciamento de pedidos (Order Management System – OMS) robusto pode ser utilizado como uma ferramenta de planejamento tributário, gerando vantagens significativas para os negócios.

O Brasil possui uma das estruturas fiscais mais complexas do mundo, e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) representa uma fatia considerável dos custos operacionais. É muito comum que grandes redes acumulem créditos tributários em alguns estados devido a dinâmicas de importação, incentivos fiscais locais ou substituição tributária, enquanto em outras regiões sofrem com o desembolso constante de caixa para quitar impostos.

Espera-se que a Reforma Tributária, quando totalmente implementada, resolva essa questão – o que ainda deverá demorar vários anos para acontecer. A inteligência fiscal na omnicanalidade resolve esse problema na raiz. Ao configurar as regras de negócio do seu OMS, você pode direcionar o faturamento de pedidos realizados no e-commerce para estoques localizados em estados específicos para consumir créditos acumulados de ICMS.

Essa estratégia gera um impacto financeiro imediato:

  • Destravamento de capital: transforma um ativo “preso” (o crédito fiscal) em receita líquida.
  • Melhoria do fluxo de caixa: reduz a necessidade de desembolso de dinheiro novo para o pagamento de impostos correntes.
  • Otimização do custo total da venda: o lucro real da venda aumenta drasticamente quando o custo tributário é mitigado de forma automatizada.

Estratégia 2: fim do conflito de canais em franquias

A expansão do varejo por meio de franquias é uma excelente alavanca de crescimento, mas a digitalização costuma trazer o fantasma do conflito de canais. Muitas vezes, os franqueados enxergam o e-commerce próprio da marca como um concorrente que rouba as vendas em sua região.

Para aumentar a eficiência financeira, a rede precisa operar em sinergia com seus franqueados. Acabar com conflitos e fortalecer a saúde financeira de toda a cadeia passa pela garantia de compromissos de alocação mínima de produtos.

O sistema de Unified Commerce deve ser configurado para priorizar o parceiro local. Quando um cliente faz uma compra online, a inteligência do sistema identifica o CEP e, antes de acionar qualquer centro de distribuição ou loja própria da marca, direciona o pedido para o franqueado daquela região. As lojas próprias passam a atuar apenas como um backup operacional, caso a operação franqueada não tenha o item em estoque.

Essa abordagem traz vantagens financeiras importantes para o ecossistema:

  • O digital impulsa as franquias: o franqueado atinge suas metas de venda com a ajuda do fluxo digital, mantendo-se motivado e financeiramente saudável.
  • Redução de custos logísticos: o produto viaja distâncias menores, reduzindo drasticamente o valor do frete e o tempo de entrega.
  • Sustentabilidade da rede: evita o fechamento de lojas parceiras e fortalece a capilaridade da marca no longo prazo.

Estratégia 3: otimização de estoque e redução de custos

O estoque parado é um dos maiores ralos de dinheiro no varejo. Produto que não vende significa capital de giro congelado e depreciação de valor. Por outro lado, enviar pedidos online para qualquer loja física sem critérios claros pode criar problemas operacionais.

Para aumentar a eficiência financeira no varejo, a orquestração do omnichannel precisa adotar três regras de distribuição:

1. Despriorização por limite de pedidos

Lojas físicas localizadas em pontos de alto movimento presencial (como grandes shopping centers) não podem ficar sobrecarregadas com a separação e embalagem de pedidos do e-commerce. Se a equipe de loja estiver focada em embalar caixas, ela deixará de atender o cliente que está fisicamente no balcão.

O sistema deve ser capaz monitorar o volume de estoque e despriorizar temporariamente essas lojas quando atingirem um limite crítico, direcionando o fluxo digital para unidades com giro menor – o que aumenta as vendas desses pontos de venda.

2. Escolha entre lojas de rua e lojas de shopping

O custo de ocupação e as comissões variáveis mudam drasticamente dependendo da localização da loja. Em muitos contratos de shoppings, a marca paga uma porcentagem sobre o faturamento total do ponto.

Sabendo disso, o OMS pode ser configurado para priorizar a saída de produtos de lojas de rua em vez de lojas de shopping. Dessa forma, a marca economiza no pagamento de taxas contratuais e comissões variáveis, aumentando seu resultado financeiro.

3. Configuração da tolerância de custo

Imagine uma peça de roupa que está encalhada há meses em uma loja específica do Sul do país, com risco iminente de liquidação (onde a margem será destruída). Ao mesmo tempo, um cliente do Sudeste compra essa mesma peça no site. A regra logística tradicional escolheria o CD do Sudeste, pelo frete mais barato.

A inteligência de tolerância de custo muda essa lógica: o sistema aceita pagar um frete levemente mais caro para despachar o produto que está parado na loja do Sul.

Ao absorver a diferença no valor do frete, o varejista limpa o estoque crítico, evita remarcações agressivas de preço (markdown) e preserva a saúde financeira do estoque global da rede. O custo da diferença do frete mais que compensa a perda posterior com descontos.

Como a Wake gera eficiência financeira

A aplicação dessas regras de negócio complexas exige uma tecnologia avançada, flexível e robusta. É exatamente aqui que a Wake se destaca como a parceira ideal para impulsionar a eficiência financeira no seu varejo:

  • Flexibilidade headless: A plataforma da Wake é construída sobre uma arquitetura headless de alta performance. Isso significa que ela consome e processa dados de estoque, ERPs, sistemas fiscais e promoções via API em tempo real. Essa velocidade permite orquestrar regras complexas de ICMS e tolerância de custo em segundos, sem impactar a experiência do usuário.
  • Ruptura zero: o algoritmo da Wake protege a receita do varejo. Mesmo quando o sistema aplica regras rígidas de despriorização para proteger lojas sobrecarregadas ou evitar custos de shopping, as lojas físicas nunca deixam de ter um backup. Se uma unidade despriorizada for a única em toda a rede que possui o produto exato desejado pelo cliente, o sistema quebra a regra de bloqueio e realiza a venda. A prioridade máxima é nunca perder a venda.
  • Facilidade de uso: o varejo sofre com alta rotatividade de funcionários, o que exige sistemas simples. A Wake oferece uma interface extremamente amigável e intuitiva para os vendedores de loja física, seja no mobile ou no desktop, o que permite que os times atuem perfeitamente desde o primeiro dia, sem desperdício de tempo ou erros operacionais dispendiosos.

A omnicanalidade não deve ser uma fonte de despesas complexas, mas o maior motor de otimização de margem do seu negócio. Com as regras certas de orquestração, o seu estoque trabalha de forma inteligente, seus impostos são compensados e sua rede de parceiros cresce unida.

Shoulder: resultados na prática

Teoria sem prática não gera resultados. A Shoulder, uma das marcas de moda feminina mais renomadas do país, enfrentava o desafio de integrar suas lojas físicas e online sem gerar atritos entre os canais, ao mesmo tempo mantendo a eficiência operacional sob controle.

Utilizando regras avançadas de orquestração de pedidos, a Shoulder implementou os conceitos de priorização de estoque e blindagem de franquias. A tecnologia fez com que a marca equilibrasse a saúde financeira de suas unidades e garantisse que o e-commerce funcionasse como um motor de vendas para as lojas físicas, e não como um rival.

As regras de negócio garantiram que as lojas de menor giro ganhassem tração com o público digital. Ao mesmo tempo, os pontos de venda com melhor performance mantiveram seu foco no atendimento de excelência, eliminando rupturas e protegendo as margens de lucro.

Quer ver na prática como essa engrenagem funciona?

Assista ao videocase completo da Shoulder e descubra em detalhes como a marca transformou sua operação de Unified Commerce com a Wake, alcançando novos patamares de rentabilidade e eficiência.

Juliana Rocha
Escrito por Juliana Rocha

Redator de conteúdo na Wake.