Experience

Como os agentes de IA estão mudando o varejo online?

Agentes de IA
Juliana Rocha
Hora Post 7 min de Leitura
Data Post 5 de janeiro de 2026

Os avanços do e-commerce aumentaram a conveniência dos clientes, mas, ao mesmo tempo, mudaram um ponto especial da experiência de compra: a conexão humana e a consultoria personalizada que só existiam até recentemente na loja física. Afinal, por muito tempo a tecnologia não conseguiu replicar o calor humano – mas isso mudou com a chegada da IA Generativa.

A evolução da capacidade da IA em imitar o comportamento humano, aliada à nova geração de Agentes de IA, transforma o papel da tecnologia: em vez de ser uma ferramenta de suporte, ela passa a ser um agente de vendas inteligente, com acesso instantâneo a dados.

Os Agentes de IA não se limitam a responder perguntas: eles guiam, sugerem e entendem o estilo e as preferências do consumidor, levando a arte de vender para o digital, mas com escala e eficiência. É dessa forma que o personal shopper, movido por Agentes de IA, está humanizando as compras online.

O fim da busca solitária

O e-commerce tradicional é uma jornada solitária de cada cliente, que navega sozinho pelos sites. Muitas vezes perdido em catálogos imensos, utilizando filtros limitados e recebendo recomendações genéricas, baseadas apenas em “quem viu X comprou Y”, esse cliente passa por uma jornada impessoal e, muitas vezes, frustrante.

Não é à toa que os índices de abandono de carrinho se aproximam dos 80%. Dificilmente o cliente se depara com uma experiência realmente encantadora.

A IA Generativa, porém, está virando esse jogo e recolocando o fator humano nas compras online. Isso acontece porque a tecnologia passa a atuar de forma proativa, como um guia que entende o que o cliente procura, por qual motivo ele procura e como cada produto se encaixa em seu estilo de vida.

Hoje, personalização não é um luxo – é uma exigência dos consumidores. Já em 2021, um estudo da consultoria McKinsey mostrava que 71% dos consumidores já esperavam que as marcas entregassem interações personalizadas – de lá para cá, esse número certamente aumentou. Em uma experiência de compra altamente personalizada, os clientes têm mais probabilidade de adicionar itens extras à cesta e de gastar mais do que planejaram. E isso faz toda a diferença na rentabilidade do varejo.

A hora da evolução: dos chatbots aos Agentes de IA

A evolução da IA no varejo pode ser dividida em duas fases: chatbots tradicionais e Agentes de IA (personal shoppers). As diferenças são bastante claras:

  • Chatbots tradicionais: são reativos, limitados e conseguem responder apenas perguntas simples. Funcionam com regras pré-programadas e não possuem memória contextual.
  • Agentes de IA: são proativos, entendem contexto e preferências dos clientes e fazem recomendações inteligentes para os clientes. Conseguem atuar como vendedores digitais.

O Agente de IA não espera perguntas claras. Ele usa o histórico do cliente para entender contextos e antecipar necessidades. Com isso, ajuda a transformar a intenção de compra em uma decisão concreta.

Essa evolução tem nome e sobrenome: IA Generativa. O uso da tecnologia para interpretar linguagem natural, integrar dados de comportamento e treinar personas alinhadas à marca faz com que os assistentes digitais sejam muito mais que “tiradores de pedidos” – eles passam a ser vendedores empáticos.

O poder da IA Generativa é um dos motivos pelos quais 73% dos varejistas brasileiros pretendem ampliar seus investimentos em IA em 2025, priorizando experiências fluidas e personalizadas que encantem os clientes e acelerem a jornada de compra.

Na loja física, a tecnologia não substitui o vendedor humano, muito pelo contrário: ele dá mais ferramentas, insights e informações para que o colaborador faça uma venda mais contextualizada, assertiva e personalizada, focada em necessidades e desejos reais dos clientes.

Por que o varejo precisa ter seu personal shopper

A adoção de personal shoppers impulsionados por IA traz impactos diretos e mensuráveis para o negócio do varejo:

  • Melhora na experiência e na conversão: empresas que investem em personalização chegam a ter um crescimento de receita até 40% maior. A implementação de agentes consultivos pode reduzir o abandono de carrinho, aumentar a taxa de conversão e estimular a recompra.
  • Mais engajamento e fidelização: com o uso de Agentes de IA que entendem o contexto e entregam respostas personalizadas, o consumidor sente que está sendo ouvido e entendido. Por isso, se mostram dispostos a compartilhar seus dados em troca de experiências mais relevantes.
  • Aumento da competitividade: marcas que investem em um atendimento personalizado se tornam mais convenientes para os clientes. Por isso, IA não é mais opcional: é um requisito. Segundo pesquisas, 87% dos americanos e 93% dos brasileiros já utilizam a IA em suas jornadas de compra, o que demonstra a confiança nas recomendações personalizadas que são geradas pela tecnologia.

O poder dos Agentes de IA reside na combinação de três pilares:

  1. IA Generativa: é a capacidade de interpretar a linguagem natural do cliente, entendendo nuances e intenções, para gerar respostas contextualizadas, ricas e consultivas. Isso permite que o cliente interaja com o sistema da mesma forma que conversaria com um amigo.
  2. Dados integrados: o agente precisa de uma visão unificada dos clientes, fornecida por uma CDP, para entender comportamento, histórico de compras, preferências e até mesmo dados do ambiente físico. A Wake Experience integra dados comportamentais em uma plataforma de dados acionáveis, utilizando a inteligência comportamental para gerar gatilhos de ação.
  3. Treinamento de personas: para que o digital se comporte como humano, a IA deve se adaptar ao tom de voz da marca. O Agente de IA precisa se comunicar com o estilo e a sensibilidade do varejista, respeitando protocolos e guidelines.

Tecnologia, por si só, não basta. O diferencial está em como o varejo orquestra a combinação entre dados, contexto e linguagem natural para criar uma experiência única.

O que vem a seguir? O Unified Commerce!

Os Agentes de IA estão impulsionando o conceito de Unified Commerce, no qual a experiência do cliente é contínua e integrada em todos os pontos de contato.

  • Omnicanalidade inteligente: a Inteligência Artificial não estará apenas no site ou no app, mas atuando em diferentes canais, como WhatsApp, redes sociais e até mesmo em ferramentas de suporte à loja física. A Wake oferece soluções como o Wake U e a Agenda do Vendedor, que permitem que o vendedor da loja física consulte o estoque unificado em tempo real e crie oportunidades de venda a partir de segmentações omnichannel do CRM. O agente de IA atua como o motor que unifica essa jornada.
  • Varejo consultivo e empático: o varejo será cada vez mais consultivo, empático e personalizado, com a Inteligência Artificial atuando como a facilitadora silenciosa e eficiente dos processos de integração.

A Inteligência Artificial não irá substituir os vendedores nas lojas físicas. Em vez disso, levará para o meio digital a sensibilidade, o cuidado e a consultoria de vendas que até agora não estavam disponíveis nos canais online. Personal shoppers impulsionados por Agentes de IA demonstram que a tecnologia mais avançada pode ser a chave para uma experiência de compra mais humana.