Realidade aumentada no varejo: Reduza devoluções e aumente vendas
A computação espacial está inaugurando um novo capítulo no varejo. Nesse momento, produtos deixam de ser apenas imagens em uma tela e passam a ocupar, virtualmente, o sofá da sala, o rack da TV ou o look completo do provador. O resultado é uma experiência de compra mais imersiva, que facilita a decisão de consumo.
Podemos definir a computação espacial como o uso combinado de sensores, câmeras, visão computacional e interfaces 3D para integrar o conteúdo digital ao espaço físico em tempo real. Em uma experiência de consumo baseada nesse conceito, em vez de navegar por páginas, o consumidor passa a interagir com produtos que “existem” no ambiente, respondendo a luz, movimento e profundidade com alta fidelidade visual.
Um bom exemplo é o que a rede sueca de móveis IKEA vem realizando. A empresa lançou o aplicativo IKEA Place para permitir que os clientes posicionem réplicas virtuais dos móveis em seus ambientes. Isso facilita muito a escolha de um sofá para a sala ou de um armário para o quarto.
Dúvidas básicas, como a combinação de cores, ou o tamanho e posicionamento do móvel no espaço são solucionadas da forma mais prática: visualmente. E, como diz o ditado, uma imagem vale mais que mil palavras.
A Realidade Aumentada (RA) é a base dessa mudança: a tecnologia sobrepõe elementos virtuais ao mundo real, geralmente por meio de smartphones ou óculos inteligentes. Dessa forma, é possível ver móveis, roupas ou objetos “encaixados” no contexto da própria casa ou do corpo.
Diferente da Realidade Virtual, que cria um ambiente totalmente digital, a RA mantém o mundo físico como palco principal e aumenta a percepção do consumidor com camadas de informação e visualização 3D. Não à toa, esse é um mercado em grande expansão: segundo a Grand View Research, o mercado global de RA deve crescer 32,5% ao ano até 2033.
A oportunidade de testar dentro de casa
Em segmentos como luxo, design e móveis, a lógica de exposição de produtos por meio de Realidade Aumentada vem sendo usada para criar showrooms imersivos, nos quais o consumidor circula por ambientes virtuais de alta definição ou projeta peças assinadas na própria sala.
Esses recursos também começam a desembarcar em lojas físicas massificadas e em pop-ups, onde a limitação de estoque e espaço é compensada por catálogos 3D que se materializam no smartphone ou em óculos de RA diante do consumidor.
Os avanços na computação espacial no varejo caminham com a disseminação de dispositivos de Realidade Aumentada e Realidade Virtual. O lançamento do Apple Vision Pro levou para o grande público um dispositivo capaz de combinar Realidade Aumentada, visão 3D e interfaces naturais em uma só plataforma.
No contexto de compras, o headset permite criar “lojas infinitas”, nas quais o consumidor visualiza móveis no ambiente real, experimenta roupas digitalmente e acessa vitrines 3D com gestos e movimentos dos olhos.
Já os óculos Ray-Ban Meta, uma collab da fabricante de óculos com a gigante de tecnologia, trazem a Realidade Aumentada para o dia a dia de forma discreta, integrando respostas visuais, mapas e conteúdos no campo de visão do usuário. Tudo isso controlado por um sistema de gestos via pulseira neural.
Wearables como esses abrem espaço para experiências como guias de loja contextuais, sobreposição de informações de produto ao olhar para uma gôndola e ativações imersivas em vitrines e campanhas de out-of-home, redefinindo o papel do ponto físico.
O impacto no varejo
A realidade aumentada deixou de ser uma promessa experimental para se transformar em vetor de crescimento para as empresas. Nas experiências de moda, soluções de “virtual try-on” vêm reduzindo devoluções e aumentando vendas: marcas que implementam provadores digitais relatam cortes de até 25% nos retornos e incrementos de quase 30% nas vendas dos itens que oferecem esse recurso.
Além disso, pesquisas mostram ainda que mais de 60% dos consumidores preferem varejistas que oferecem Realidade Aumentada e que a geração mais jovem demonstra alto interesse em experimentar produtos de forma imersiva antes de comprar, reforçando o potencial de longo prazo.
Outra vantagem está na coleta de dados: experiências baseadas em Realidade Aumentada e computação espacial permitem obter dados importantes sobre preferências de produto e estilo, além de características físicas. Essas informações podem ser usadas pelo varejo para alimentar decisões de sortimento, design e reposição de estoque.
Em móveis e decoração, a visualização em escala real no ambiente resolve o “gap” entre foto de catálogo e realidade, reduzindo frustrações pós-compra e impulsionando ticket médio, já que o consumidor consegue montar visualmente projetos completos.
Outros setores, como cosméticos, esportes e varejo alimentar premium, começam a explorar embalagens e gôndolas que “ganham vida” via RA (inclusive no unboxing de produtos), adicionando instruções, histórias de origem do produto e conteúdos interativos que fortalecem o branding.
Wake: tecnologia à sua disposição
No contexto brasileiro, soluções como a Wake vêm conectando o novo mundo da computação espacial ao dia a dia do varejo omnichannel, articulando jornadas digitais e físicas de forma integrada.
A funcionalidade de venda assistida da Wake, por exemplo, coloca o vendedor no centro de uma jornada híbrida em que ele navega pelo catálogo junto com o cliente, monta o carrinho em tempo real e finaliza a compra com links de pagamento personalizados, em canais como loja, e-commerce e WhatsApp.
Esse modelo de atendimento consultivo cria o terreno ideal para a Realidade Aumentada: ao integrar visualização de produtos em 3D na própria plataforma, o vendedor consegue mostrar variações de cor, acabamento e encaixe no ambiente ou no corpo do cliente, reduzindo dúvidas e aumentando a conversão.
Por fim, a plataforma de e-commerce da Wake permite costurar esses pontos com uma visão unificada da jornada: o cliente descobre o produto em RA, recebe apoio consultivo pela venda assistida, conclui a compra em qualquer canal e vive um unboxing enriquecido por conteúdos imersivos, tudo alimentando a mesma base de dados.
Na prática, a computação espacial deixa de ser um experimento isolado em aplicativos e passa a ser componente estratégico de uma arquitetura de varejo phygital, em que cada interação 3D se converte em dados, conversão e diferenciação competitiva.